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Desistir é morrer
Goulart Medeiros
Pois desistir é morrer, e eu sei que não fui afinal, feito
como o barro, para ser moldado as conveniências,
ao mundo como ele se apresenta hoje.
Já chorei, já desesperei, já me encantei, já desencantei,
já adoeci, já ressuscitei. Viver é o maior exercício de
coragem, e o pedágio para transitar nesta vida não é
barato. Mas ainda sorrio!!
Perder já perdi, e muito: não me disseram que a
felicidade não está no outro, que as pessoas não fazem o
que devem, mas o que querem, que não se importam se
tu estas ali ou não, se tu não as abandonas-te, se tu
acreditas nelas, se tu investiste nelas, ...teu tempo, tua
inteligência tua paciência teu coração, e se o teu trabalho
foi todo para elas, porque as amava! A gente fica sim de
mãos vazias, de coração partido, esvaem-se até os teus
melhores ideais. Também fracassei!! O ser humano tem
destas coisas. Tenho medo também.
Mas também aprendi:
Que não é saudável nem correcto investir na vida dessa
maneira, que os outros são os outros e tu es tu. Que são
as tuas escolhas que te fazem ser o que é, e estar do jeito
que está, que não se deve colocar o amor pelas pessoas
acima do amor por ti, que é duro se reconstruir, se
modificar, o ser humano não lida bem com as mudanças,
ele sofre com mudanças, ele não aceita, ele não cria
coragem imediatamente para deixar para trás aquele “investimento” que fez no outro. Precisamos de tempo,
para engolir o “sapo”. E isso dói. É horrível sentir-se
sozinho(a), ser rejeitado e sentir que se investiu em vão.
Tudo aquilo em que acredita e que te faz ser o que é, e
que em outros tempos fez parte da história da sua vida
como uma coisa boa, agora não serve mais. A gente fica
perdida(o). Não se vê direito, puxaram o nosso tapete e
caímos… Eu tirei os tapetes, nem me permito lamentar
aquilo que já acabou. Caminho agora em direção ao
futuro. Mudar é preciso. Tudo pode ser reconstruído,
reformado.
Ainda levo na alma o meu jeito de ser, a minha marca
registrada, que é a imensa capacidade de compreender e
aceitar as coisas como eles vêm. Recebemos coisas
dessa vida que às vezes não gostamos, que não
queríamos, que não planejamos, mas encaro isso agora
como um presente, se ganho um osso faço uma sopa, e
não paro para reclamar, nem me lamentar. E vou
andando, olho para frente. Não minto, nem para mim
mesmo, não sou feliz como homem, mas sou como
pessoa. E adoro gente que é honesta, enganar é ridículo
e tu sempre sabes como é!
E descobri que esse é o meu jeito essa é a minha
essência, não tenho aquilo que aos outros é indispensável,
materialmente, posso ser considerado pobre, mas, o que
tenho é meu, não me foi presenteado, nem ganhei ou
transigi com a minha convicção, me orgulho agora de
mim, porque sei mais a meu respeito: Nossa riqueza é o
que sabemos, o que aprendemos:... ninguém sabe o que
tu tens, nem te pode roubar, e tu tens para usar quando é
preciso. É um investimento e tanto. Às vezes sou fraco, fico triste, me revolto, me
desoriento. Ficar sozinho é pra quem tem coragem. Foi
o jeito que achei para me proteger.
Mas também me deu a autonomia de poder ser
transparente e verdadeiro.
Com relação aos meus (muito humanos) e felizmente
poucos erros nos relacionamentos, tenho um ditado que
adoro.
“Viver bem é a melhor vingança!” Empresto-o…
E não aceito menos do que mereço, e preciso. Eu
conheço-me, nunca poderei deixar de ser como sou.
Nunca pude gostar de ver um pássaro numa gaiola, e
não vou jamais querer fazer isso com outra pessoa ou
deixar que façam isso comigo. Respeito tudo que vive
neste planeta. Amo a liberdade. E, embora não goste
muito às vezes, pois sempre se busca a aceitação social,
respeito também o direito que os outros têm de não
gostar de mim, da pessoa que sou, do jeito que escolhi
viver e ser, do modo como penso, e do que digo. O
problema é deles, não meu. Não há, uma reação final.
Há sim, uma reformulação afinal! E necessária com
certeza. Pensa nisto.
E é isso que faço, tento ainda acertar, não desisto,
nunca!!!!
http://anarquista.no.comunidades.net

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