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Tradições
Augusto Machado

SAA tradição é algo que herdamos dos nossos antepassados: costumes, lendas, dogmas, transmitidos de geração em geração; hábitos que aprendemos e, oralmente ou por testemunho, que livros sucessivamente publicados confirmam, os transmitimos aos nossos descendentes. Mas o apego a certas tradições ou usos antigos, às vezes são exagerados. Para não dizer que, em certas circunstâncias até causam mortes. Claro que me refiro ao fanatismo - quantas pessoas morrem em Meca, todos os anos, por altura das peregrinações – assim como noutros locais, embora não sagrados, mas que as pessoas ocorrem simplesmente porque é tradição.

Acredito na importância de mantermos as tradições – o que seria o mundo se não soubéssemos como viveram os nossos progenitores. Todavia, tenho dificuldade em compreender por que é, que nos nossos dias, ainda existem certas tradições que só causam dor e mal- estar aos cidadãos.

Há umas semanas atrás, mais concretamente, na ocasião em que o Governo criou a nova lei do tabaco, a qual proíbe de se fumar em espaços fechados, um canal de televisão transmitiu uma reportagem de Barrancos, uma cena em que todo o país ficou de boquiaberta: crianças, algumas não tinham mais de seis, sete anos de idade, a serem incitadas pelos próprios pais para fumarem. Eram grupos de miúdos cada um a puxar pelo seu maço de cigarros e a fumar. Ora bem, isto até poderia ser uma brincadeira de crianças. Mas não era. Quando um deles foi entrevistado pelo jornalista que lhe perguntou porque fumava o puto respondeu: “É o meu pai que quer que eu fume”. “E quem te comprou os cigarros”, questionou o mesmo jornalista, “foi o meu pai”, retorquiu o pequeno. Mais adiante, no mesmo local, havia um outro grupo de adultos e crianças, também ali, homens e rapazes fumavam. Então, o jornalista quis saber mais pormenores sobre a razão de incitar as crianças a fumar e perguntou: “Porque é que querem que estas crianças ainda tão jovens fumem? A resposta não se fez esperar, um dos pais, aproximou-se do jornalista e explicou: “Meu caro senhor, aqui em Barrancos manda a tradição que, nesta altura do ano, (era dia de Ano Novo)os mais pequenos devem começar a fumar – é assim que eles se fazem homens. Absurdo! Pais a ensinar crianças a fumar enquanto o resto do mundo, por causa do tabaco, adverte que morrem milhões de fumadores por ano...

Outra tradição, que é praticada pelo menos na localidade onde moro, aqui no norte do País, é o som estrondoso dos bombos que um grupo de homens percorrendo a freguesia, na véspera de Santo Amaro, desde o escurecer até ao romper do dia, toda a noite sem parar aquele som ensurdecedor não deixa dormir ninguém. É um som atroador. Nessa noite, que por acaso aconteceu a noite passada, ninguém conseguiu pregar olho. Nem os cães sossegaram... toda a noite ladraram. Os senhores dos bombos apenas abrandavam a atroada quando paravam para reabastecer o espírito quando alguém lhes oferecia aguardente ou jeropiga. E logo continuavam, pumba!, pumba!

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