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Visita à Sinagoga
Antero Branco
A Universidades dos Tempos Livres, no quadro do
seu curso de ciências religiosas, assiste a uma série
de conferências sobre as três religiões monoteístas, quer
dizer as que acreditam num só Deus. O Judaísmo, o Islamismo
e o Cristianismo.
A conferência sobre o Judaísmo foi apresentada pela
senhora Joaquina Pires, que muito bem nos introduziu
ao Judaísmo, relatando um pouco da sua história, doutrina,
escrituras, organização, ritos e as principais festas
religiosas.
O Judaísmo é considerado, a primeira religião monoteísta
a aparecer na história. Tem como crença principal a
existência de apenas um Deus, o criador de tudo. Para
os judeus, Deus fez um acordo com os hebreus, fazendo
com que eles se tornassem o povo escolhido e prometendo-
lhes a terra prometida. A Torá é considerado o livro
sagrado, como para nós a Bíblia, que foi revelado
directamente por Deus. Na Bíblia cristã temos o velho e
o novo testamento. Na Tora só consta do antigo testamento.
Para dar seguimento a essa conferência e para
melhor compreendermos o seu povo, Joaquina Pires organizou,
para aqueles que bem quiseram, uma peregrinação,
na passada sexta-feira, à Sinagoga Temple Emanu
El-Beth Sholom, onde fomos acolhidos pela senhora
Thérèse Klein. À entrada do templo encontrava-se a segurança
para nos revistar, mas só revistaram o Padre
José Maria. Até lhe perguntaram se tinha armas. Acho
que o confundiram com um árabe. Todos os homens tiveram
que pôr na cabeça o solidéu, barretinho que habitualmente
os judeus usam na cabeça.
A senhora Thérèse Klein mostrou-nos a Sinagoga, o
museu e explicou-nos um pouco o que era ser judeu.
Tivemos o privilégio de contemplar a Tora. A Tora é escrita
com tinta feita a partir de vegetais e as folhas são
de pele de animal. As folhas são cozidas entre elas fazendo
um rolo. A escritura é em hebraico. Quem escreve
pode enganar-se e corrigir a palavra que fez erro, mas se
enganar-se no nome de Deus, a pele é rejeitada e é queimada
ou enterrada. Segundo eles, ninguém pode-se enganar
no nome de Deus.
Antes da visita à Sinagoga, estava convencido de que
os judeus se baptizavam, porque João Baptista já baptizava
antes de Cristo, mas não. A cerimónia que fazem às
crianças, é a circuncisão ao rapaz no oitavo dia após a
sua nascença e se for rapariga, é apresentada à comunidade
na primeira semana de vida e recebe um nome judaico.
Só são judeus os filhos de mãe judaica.
A nossa visita coincidiu com a festa « Tu Bishhevat
Sender », quer dizer Novo ano das Árvores. É uma maneira
de agradecerem a Deus a abundância dos frutos. A
cerimónia foi presidida pelo Rabi Leigh Lerner. Cantam
muito e bem, mas a cerimónia tem pouca divindade. O
Rabi parece um político que quer ganhar as próximas
eleições. Após a “missa” fomos convidados a nos sentar à mesa na outra extremidade da sala, para partilharmos
com eles a Tu Bishevat Seder. Nas mesas havia vinho
branco e tinto, tangerinas, frutos secos, nozes e amêndoas.
Antes de consumirmos um dos alimentos, o Rabi dizia
uma reza. Uma das características que nos difere dos
judeus é sem dúvida alguma a Trindade e a Ressurreição.
Eles não acreditam na vida após a morte. A visita à
Sinagoga foi uma experiência muito enriquecedora e
positiva. Agora fico curioso com a conferência sobre o
Islão « Os pilares do Islão” pelo Sheikh Omar Kone.

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