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“O Outono da Alma”
Novo romance de Lagoas da Silva
António Vallacorba
O nosso colega de redacção,
Lagoas da Silva, deu recentemente à estampa mais uma das
suas “memórias” existenciais.
Trata-se do romance em
epígrafe, O Outono da Alma,
publicado pela Papiro Editora,
do Porto, e lançado na Livraria Bulhosa, no Parque
Oeiras, em 8 de Novembro de 2007.
A respectiva apresentação foi da responsabilidade do
filósofo e escritor, Diogo Morais Barbosa.
Com pouco mais de 200 páginas e escrita numa linguagem
bastante acessível a todos os leitores em geral, contagia-
nos com os sonhos dos seus protagonistas e os
seus amores, mas também com as fatalidades da própria
vida, de que a guerra é apenas um dos muitos pontos em
foco.
A primeira parte desta história desenrola-se nos finais
da guerra de independência de Angola, para depois continuar
e terminar em Portugal.
Consequentemente, e como se
pode ler na contracapa, o regresso
de África terá sido para muitos o
fim de um sonho, um sonho que se
terá ido e, com ele, o pôr do sol, a
fina areia das praias, os amigos, os
batuques noite dentro; o fazer amor
sob a copa dos imbondeiros (árvores
grotescas, atormentadas, que assentam
no chão uma patorra disforme
e estendem para o ar braços desvairados
de divindade hindu).
Em nota seguinte, lê-se que Bernardo,
Catarina e Rosário formam
neste livro o “triângulo de um grande
e profundo amor, um amor que
vindo de África se projectou em
Portugal, um país que embora não
fosse o deles, eles muito amaram”.
Por outro lado, muitas são as questões
e perguntas levantadas pelo autor
sobre a atitude das pessoas, acerca da política e das
causas da guerra, para cuja arena são lançadas muitas
vítimas - como a seguir se regista, depois do personagem
principal, Bernardo, ter testemunhado a morte de
oito jovens: “Mas porquê arrastar todos aqueles jovens, tão jovens
ainda, levando-os a defender qualquer coisa que nada
lhes dizia?! Por que razão se deixavam os políticos enredar
pelos oficiais, cujo patriotismo era nebuloso, abjecto
e triste?! Quem andaria a lucrar com tudo aquilo?”
Para além do mais óbvio, foi-nos muito grato ter lido
esta obra, assaz enriquecedora na análise que nos deu de
Angola e Portugal, pela análise das coisas e das pessoas
nelas intervenientes e das demais em geral.
Este é o quarto romance do autor e cujos direitos, num
louvável gesto assaz prenhe de filantropia, revertem na
sua totalidade para o Centro de Solidariedade Social de
Febres (Lar de Idosos).
Previamente, o autor publicou África, a Terra de Mil
Sóis, O Piar dos Mochos e Os Amores de Sofia.
Lagoas da Silva é natural de Febres,
Cantanhede, no Continente,
e viveu mais de duas décadas em África, experiência que nos é
agradavelmente revelada nesta
obra. Jornalista, colabora, para
além deste jornal, em mais de
três dezenas de outros jornais
editados na Europa, América do
Norte, Venezuela, Brasil, Austrália
e Macau. Esta obra encontrase
profusamente distribuída pelas
livrarias em Portugal. Todavia,
poderá ser adquirido através dos
seguintes endereços electrónicos:
portmundo@iol.pt e coord.aferraz@
papiroeditora.com, ou através
dos telefones: 00.351.217.649.992
e 00.351.220.109.120.
Felicitamos Lagoas da Silva
pela publicação de mais esta
obra, com votos de muitas prosperidades,
sobretudo no que se refere aos nobres propósitos
a que se tem dedicado.

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