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Mulheres: filhas de um Deus menor
Augusto Machado

SAJá não basta serem obrigadas a esconder o rosto e usar a burka para não mostrar a pele, como também têm que obedecer à polícia religiosa saudita, Mutawa, que zela pela ordem e os ‘bons costumes’ em que as mulheres são os principais alvos da sua acção punitiva. Vale tudo para defender e manter um sistema discriminatório e punitivo baseado nos costumes e nos valores sociais e nas leis, cujas vítimas são as mulheres.

Uma mulher de 19 anos foi violada 14 vezes por sete homens. Eles foram condenados e ela também. A história começa Assim: depois da violação a mulher foi encontrada na companhia de um homem que a tentava socorrer - embora não fosse seu familiar – (as mulheres quando acompanhados por um homem, de acordo com a sharia (lei islâmica), este tem que ser um familiar). E esse foi o seu crime – ter sido encontrada com um homem - violação das leis de segregação dos sexos – e, pela ofensa foi condenada a 90 chicotadas. Sentindo-se discriminada, a mulher decidiu recorrer da sentença, só que, o juiz do tribunal da província de Qatif considerou que a mulher tentou influenciar o sistema através dos media. Resultado: a mulher violada 14 vezes por sete homens foi condenada a mais 200 chicotadas e a seis meses de prisão.

Afinal, o Allah, em certas partes do Mundo, não protege as mulheres da mesma forma como protege os homens.
Ou será que o homem, por conveniência, usa as regras da religião, por si criadas, para se proteger a si próprio e
continuar a escravizar as nossas mães? Que Deus ou Allah, ou dêem-lhe o nome que quiserem, nos defenda e
nos salve destas leis religiosas anacrónicas!...

Imagine a leitora, viver num destes países onde existe uma polícia religiosa, zelosa dos seus deveres – é o caso
da Mutawa, que vigia a moral e os costumes e, por vezes, pune sem veredicto. As mulheres sauditas, ou estrangeiras no país, submetem-se a estritas regras ou códigos que violam os elementares Direitos Humanos.

Andar sozinha numa rua, sem a companhia de um familiar masculino, pode constituir uma ofensa à moral e/ou correr o risco de ser incomodada. Mais: As mulheres são discriminadas no sistema educativo e só podem desempenhar certas profissões e mesmo que tenham conseguido uma bolsa para estudar no estrangeiro só
podem sair do país se acompanhados por um familiar do sexo masculino, geralmente um pai ou um irmão. As mulheres estão impedidas de conduzir graças a uma lei criada e imposta pelos chefes religiosos. Têm lugares separados nos transportes públicos e entram sempre pela porta da retaguarda. Não podem ser admitidas para tratamento hospitalar sem o consentimento de um familiar masculino.

Em 1993, uma enfermeira canadiana, Margaret Madill, apanhou um taxi com uma amiga, após uma viagem de compras a Riade, a capital do país. A polícia Mutawa entrou no veículo e deteve-as durante seis horas dentro do carro. Foram severamente espancadas. Estiveram presas durante dois dias na prisão de al-Malaz por não estarem vestidas como exige a sharia. E o crime cometido, segundo o juiz: «vestidas indecentemente» e por «intoxicação pública».
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