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Eles não acreditam
J.J. Marques da Silva
A Voz de Portugal do dia 30
de Janeiro de 2008 trouxenos
uma notícia (“Visita á Sinagoga”)
que mereceu apoio geral
com agrado, e o aparte de um
triste reparo. Agrado porque, a
Universidade dos Tempos Livres,
com uma série de conferências do seu curso de
ciências religiosas, se propôs visitar uma sinagoga, e
isso merece aprovação e louvor. Doutrina comparada é
fonte de conhecimento, liberdade para a alma, e abertura
para o espírito, pois que, examinada com educação
espiritual, nos deixará mais convictos de nós mesmos
se estivermos em desacordo, e verticais, sem a ofensa,
no respeito que sempre nos merece o valor de algo que
nos seja contrário. Eis aqui o nosso aprazimento com
júbilo!
O texto que relata a visita seria também interessante se
não terminasse com a afirmação: “Eles (os judeus) não
acreditam na vida após a morte”!
Talvez não erremos ao supor que o lapso foi simplesmente
devido ao facto da diferença que há entre judaísmo
e cristianismo; porém, quando ignorarmos algo sobre
qualquer doutrina que por estudo estivermos comparando,
será melhor, tal como na justiça aqui do Quebeque,
que haja uma suposição antes da prova afirmativa.
Foi o que dissemos a quem chamou a nossa atenção,
mas permitam-nos umas pequenas achegas sobre se sim
ou não, os judeus não acreditam na vida após a morte.
Percorrendo a Torah, conjunto de livros sagrados para
os hebreus, deparamos com as seguintes afirmações: “Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogénito”;
“se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes
a minha aliança, então sereis a minha propriedade
peculiar dentre todos os povos. Vós me sereis reino
de sacerdotes e nação santa. Ser-me-eis homens consagrados.
Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus,
que te escolheu, para que lhe fosses o seu próprio
povo”(Êxodo 4:22; 19:5-6; 22:31; Deut.7:6).
Os livros de Génesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronómio (Pentateuco) compõem a Torah, e para
eles era revelação perfeita e final da vontade de Deus.
Alguém encontrou, nestes cinco livros, 613 mandamentos,
entre os quais os dez ensinados pelos catequistas e,
a primeira reflexão que tivermos de fazer será de que
Deus não cobriu os hebreus de tantos privilégios, apenas
para uma vida materialista na terra, sem promessas
para alem depois da morte.
Depois de Judá, quarto filho de Jacob, do qual deriva o
nome “judeu”, e de toda uma sequência que passa pelas
relações estrangeiras, e duma autoridade real em questões
religiosas (que sofreu censura no reinado de Uzias:
2 Crón. 20:16-23), o judaísmo sofreu diferenças com o
decreto de restauração assinalado por Esdras cap.6 e seguintes.
Depois do exílio igualmente. É verdade que até
hoje (aparte alguns casos) não encontrou maneira de
harmonizar a Graça cristã com a transmissão da Torah,
conceitos do Talmude e da Midrash, que designam diferentes
interpretações dos textos bíblicos. Mas qualquer
antologia de declarações rabínicas nos mostrará que os
dias do Messias esperado são afins com a revelação do
Antigo Testamento, e esses apontam para alem da morte.
“Buscai ao Senhor e vivei, para que não irrompa na
casa de José como um fogo que consuma, e não haja em
Betel quem o apague” (Amós 5:6). O dia do Senhor denota
tanto as visitações divinas na história, como também
a visitação escatológica final, que é o pensamento
do judaísmo para a vida futura. “O Senhor será Rei sobre
toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um
só será o seu Nome” (Zac.14:9). Está claro que isto é
vida depois da morte!
Citaremos ainda o caso dum morto que foi sepultado
sobre os ossos de Eliseu: “Lançaram o homem na sepultura
de Eliseu; e, logo que o cadáver tocou os ossos de
Eliseu, reviveu o homem e se levantou sobre os seus
pés” (2 Reis 13:21). Não será isto sinal de ressurreição?
E ressurreição é vida após a morte!
Nossa conclusão: excluamo-nos da opinião que é passo
de muita gente: -“Não pensa nem crê como eu, logo
está errado”!... Investiguemos. Do Senhor virá a revelação!

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