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Tensão em Timor
O Conselho de Segurança (CS) da
ONU condenou, “nos termos mais
duros possíveis”, os atentados contra o
Presidente e o primeiro-ministro timorenses,
mas absteve-se de aprovar qualquer
resolução sobre o reforço do contingente
militar no território. No comunicado que foi lido após a reunião
extraordinária segunda-feira à noite,
o presidente do CS pediu calma à população
timorense, justiça para os responsáveis
e desejou a “pronta recuperação” do
Presidente Ramos-Horta.
Entretanto, antevendo a possível necessidade
de reforçar a segurança no território,
Nova Zelândia e Austrália já declararam
que têm disponíveis forças militares
para enviar para Timor-Leste.
Já o primeiro-ministro português preferiu
deixar a decisão sobre um reforço do
contingente da GNR no território para as
Nações Unidas. José Sócrates afirmavase
solidário com Timor-Leste, mas considerava “prematuro” falar em reforços e
lembrava que os militares portugueses
estão integrados na força da ONU, competindo
a esta instituição avaliar a situação.
Golpe de Estado
“Considero este ataque uma tentativa de
golpe de Estado feita por Reinado, mas
que falhou”, disse Xanana Gusmão, depois
de ter escapado ileso. Os chefes de
Estado foram vítimas de dois ataques
concertados. O Presidente, Ramos-Horta,
foi atingido com dois tiros pelas costasjunto à sua residência. O ataque terá sido
organizado pelo líder rebelde Alfredo Reinado,
que foi morto pelo corpo de segurança
do Presidente durante o ataque. Poucos
minutos depois, a caravana onde seguia o
primeiro-ministro foi atacada com fogo
cerrado. Um dos veículos despistou-se e
acabou por capotar, mas Xanana Gusmão
não foi atingido. O ataque foi liderado por
Gusmão Salsinha, um dos seguidores de
Alfredo Reinado quando este fugiu da prisão
em Agosto de 2006.
Em estado crítico
“As próximas 72 horas são críticas”, garantiu
o médico australiano que operou o
Presidente timorense. O cirurgião avançou
que Ramos-Horta está estável mas não fora
de perigo. No entanto, o presidente do Parlamento
Nacional de Timor-Leste, Fernando
de Araújo, que assumirá interinamente a
presidência, garantia que Ramos-Horta deverá
reocupar o cargo dentro de um mês. O
chefe de Estado, que ficou com uma bala
alojada no estômago, foi submetido a uma
intervenção cirúrgica no hospital militar
australiano em Díli. No entanto, a falta de
meios forçou os médicos a optar por submeter
Ramos-Horta a um estado de coma
induzido para que fosse transportado para
um hospital na cidade australiana de Darwin.
Aqui o Presidente timorense foi submetido
a uma segunda intervenção para extracção
da bala.
Tensão em Díli
O clima na capital de Timor-Leste estava
controlado mas sob forte tensão, com as
ruas patrulhadas por forças fortemente armadas.
Após os ataques, o primeiro-ministro
declarou de imediato o Estado de Emergência
e o recolher obrigatório por 48 horas.
A população de Díli está, assim, impedida
de circular nas ruas da capital entre as
20 e as 6 horas da manhã e há liberdades
fundamentais, como o livre direito de manifestação,
que estão suspensos.

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