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Alzheimer doença silenciosa
Augusto Machado

SASempre gostou que lhe chamassem ‘Einstein’ e ainda hoje prefere que o tratem por esse nome famoso. Tem 66 anos e sofre de Alzheimer há seis. A primeira vez que foi à Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA) tomou plena consciência da doença. Na companhia do filho, registou o título da pasta do médico que o atendeu – “Relatório de demência”, era a inscrição.

Esta revelação foi o suficiente para que no dia seguinte fizesse uma pesquisa na Internet e investigasse a doença: “Afecta a pessoa, apesar de não doer nem cheirar – mata primeiro o cérebro antes do corpo”. O homem estremeceu. Ficou mais consciente da gravidade desta doença. E pensou para consigo: “Nem sequer temos a noção de estarmos a ser perseguidos por algo que nos apaga, para sempre, a nossa memória”.

No entanto, o antigo oficial da Armada que vive sozinho, revela-se uma pessoa bem-disposta e activa. Não dispensa as actividades diárias apenas admite que o seu fracasso é a culinária. Vale-lhe a ajuda dos filhos que o apoiam em tudo. Na APFADA, exercita a mente através da terapia cognitiva, porque o ajuda, “a desempenar o cérebro”, acrescenta ele com uma boa dose de humor. “Se fosse maldisposto não poderia ter o alzheimer ao pé de mim. Eu não estou tontinho e tento manter na cabeça o que tinha. O importante é acordar todas as manhãs e encarar a vida tal como ela se nos apresenta”, revelou, com humor o ‘Einstein’.

Memórias esquecidas. Segundo a vicepresidente da APFADA, Leonor Guimarães, a Alzheimer é uma doença do sistema nervoso que começa por afectar a memória e gradualmente afecta também as funções. Contudo, as suas causas são múltiplas e difíceis de determinar. “Há médicos que apontam para a genética e outros para o stress diário do doente, mas existem também causas orgânicas que, de facto, ocorrem através da deterioração das células cerebrais”.

A perda de memória e a sua degradação sucessiva são sintomas característicos da doença. A memória mais recente vai-se esvaindo, até o processo atingir as recordações mais antigas. O paciente pode mesmo deixar de se reconhecer a si próprio, a familiares, a objectos e ao ambiente que o rodeia. Os doentes são encorajados a participar na terapia de reminiscência que evoca situações e lembranças passadas, além da estimulação cognitiva – em que exercitam a escrita e fazem cálculos – e a terapia pelo movimento, que os estimula no caminhar.

Terapeutas aconselham para se incutir bons hábitos de higiene nos doentes incentivando-os para as tarefas diárias como o vestir e despir. “É preciso ajudar os doentes nas suas tarefas e não fazê-las por eles”. A Alzheimer atinge mais de 30 mil portugueses e os números tendem a aumentar devido ao envelhecimento da população. Especialistas afirmam que por cada cinco anos a mais de vida a partir dos 65 a possibilidade de ter a doença duplica. Assim sendo, corre-se o risco de termos mais doentes com Alzheimer do que pessoas em condições normais para poder cuidar deles.

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