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Artérias obstruídas
Augusto Machado

SAFalar em acidente vascular cerebral (AVC) ou em enfarte do miocárdioé, por vezes, doloroso. Conhecidas por“doenças da idade”, poucos relacionam a sua incidência com a obstrução das artérias por depósitos de gordura e trombos. Prevenir é a única forma de evitar lesões irreversíveis. Uma boa razão para se evitar excessos e termos cuidado com o nosso estilo de vida.

O sangue corre a um ritmo impressionante.

Composto por plasma, glóbulos vermelhos e brancos e plaquetas, cabe a este tecido vivo a enorme responsabilidade de fazer chegar a todos os órgãos, através de um complexo sistema de vasos sanguíneos – sistema circulatório -, o oxigénio e os nutrientes indispensáveis à sobrevivência.

Mas, explica o cirurgião, Abílio Pereira,“as artérias vão envelhecendo à medida que a idade avança e, consequentemente, há uma tendência maior para o aparecimento de placas que criam apertos e oclusões que podem desencadear doenças aterotrombóticas, que variam em função da parte do corpo onde se desenvolvem, ou seja, um AVC, um enfarte do miocárdio ou outras complicações”.

Em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas, as doenças vasculares e circulatórias são as principais causas de morte, matando mais do que o cancro, a diabetes ou mesmo os acidentes de viação e as perspectivas não são animadoras, já que um estudo da Royal Society of Medicine prevê que, em 2030, a aterotrombose atingirá cerca de 12 milhões de pessoas com idade superior a 65 anos, em todo o mundo.

A aterotrombose, também conhecida pela “doença das montras”, pois o doente fica obrigado a fazer percursos muito curtos, a isquemia, (suspensão da circulação do sangue) dos membros inferiores consiste numa obstrução das principais artérias que transportam o sangue para os pés, o que exige que o sangue procure vias alternativas. Nesta, como em qualquer outra das manifestações de aterotrombose,é essencial que o doente controle os factores de risco: o colesterol, a diabetes, a hipertensão arterial, o sedentarismo e que deixe de fumar. “Se a doença evoluir, e apesar de haver hoje em dia múltiplas opções de tratamento, se estes não forem realizados atempadamente, há o risco de aparecimento de gangrena que, infalivelmente, terminará numa amputação do membro afectado”, avisa o cirurgião vascular, Abílio Pereira.

Do cérebro ao coração. Na maioria dos casos a isquemia crónica tem tratamento e uma das terapêuticas mais aconselháveis é o caminhar regularmente de forma a Artérias obstruídas habituar as vias secundárias ao novo fluxo sanguíneo. O facto de a aterotrombose ser uma doença generalizada e difusa, que atinge todo o nosso sistema arterial, constitui actualmente uma grande preocupação de saúde pública e uma séria ameaça de vida. Mais ainda porque as suas manifestações mais graves culminam com um enfarte do miocárdio ou um AVC, que podem deixar a pessoa incapacitada ou conduzi-la à morte. A conviver diariamente com o drama destes doentes, o clínico adverte que, “é preciso impedir o diagnóstico tardio e recorrer ao médico precocemente”. Por isso, pela sua SAÚDE, mexa-se - e a regra, em tudo que fazemos, deverá ser moderação.

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