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Cuidar da nossa
auto-estima
Augusto Machado
Há dias e até meses que as coisas
não correm nada bem. Mas como
o azar nem sempre está atrás da porta,
o melhor é mesmo acreditar que tudo
melhora. Mas cuidado, a recomendação
de tomar uma atitude positiva, por si só,
não vale, porque, se não tratar da sua
auto-estima, a próxima conversa será
com o seu médico.
Quem nunca sentiu uma ´pitadinha´
de inveja! Ainda a cabeça só pensava
em bonecas e carrinhos e já olhávamos
para o lado com o sentimento de que a “galinha da vizinha é melhor que a minha”.
Com o passar dos anos as coisas
não melhoraram. As notas na escola, ter
ou não ter namorado/a, o grupo de amigos...
E quando se começa a trabalhar,
nada como manter a mente ocupada
com questões sobre quem ganha mais,
a vida social do colega... Enfim, ou uma
pessoa consegue passar indiferente a
todas estas “supostas” adversidades
da vida, ou então, parabéns - tem uma
grande auto-estima.
Aqueles que por mais tentativas que
façam a sorte parece gostar de ser madrasta.
Seja por uma ambição excessiva,
pelo vício de inveja ou simplesmente
porque há dias assim, muitas pessoas
acabam por não conseguir conviver bem
com o sucesso alheio e entram em crises
profundas.
Mariana tinha um problema sério. A
chegar aos trinta anos, ainda não tinha
encontrado a sua cara metade. Rapidamente
aquilo que poderia ser “falta de
sorte”, passou a revelar-se num problema
de auto-estima. “Sentia que o
relógio biológico não parava e que as
pressões sociais, mesmo quando camufladas,
também não”, confidenciava à
sua melhor amiga. Depressa os sentimentos
de inferioridade impuseram-se e só as sessões de psicoterapia ajudaram-na a libertar-se
dos fantasmas e medos.
“Inconscientemente comecei a implicar com as pessoas
que estavam à minha volta. Comecei a ter crises de
ansiedade que acabaram por interferir com a minha tensão
arterial e outros problemas de saúde. Não conseguia
dormir. Passava as noites em claro só a cismar em todos
os males possíveis que poderiam acontecer-me”, revela
a Mariana.
Nem todas as pessoas conseguem suportar as pressões
sociais e com a sua auto-estima em baixo, acabam por
sucumbir ao ‘fracasso’. O problema emocional depressa
evolui para um estado também de inferioridade física. E
as sessões de psicoterapia, alertam os especialistas, não
são, por si só, a solução do problema, mas permitem
Cuidar da nossa auto-estima
que a pessoa se conheça melhor. Nestes casos emocionais,
esta ajuda permite que a pessoa abra os olhos e que
descubra as suas qualidades. Sabe-se que as sensações
de inferioridade acabam por ser um factor negativo na
saúde do indivíduo. Um estudo publicado há tempos
na revista “International Journal of Epidemiology” que
decidiu investigar a relação entre o estatuto social e a
saúde psicossocial - tocando nos pontos fracos como a
casa, o carro, ou as férias, os investigadores concluíram
que aqueles que acreditavam ter uma vida social menos
favorecida acabavam por revelar forte tendência para
depressões e crises de auto-estima.
Para não cairmos na mesma estatística o melhor é esquecer
o que tem o vizinho e andarmos bem dispostos
com o que temos.

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