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Romeiros do Quebeque
A fé na mais sentida das expressões
António Vallacorba

SANa Sexta-feira Santa, voltou a sair o rancho dos Romeiros do Quebeque, calcorreando caminhos desde Laval até Montreal, num acto de penitência adentro do espírito de preparação para a Páscoa e em que somos convidados a fazer voluntariamente algum sacrifício.

Cantando e rezando ao longo de todo esse percurso, os romeiros revestiram-se de forte expressão mística, através da sua grande devoção, demonstrada pelo sacrifício e determinação em cumprir este ritual.

Sacrifício, aliás, bastante pronunciado ante a adversidade do estado do tempo, em que todos foram unânimes em considerar a peregrinação deste ano como uma das mais difíceis, senão a mais difícil de sempre, com temperaturas na escala dos 10 graus negativos e agravadas pelo vento fortíssimo que se fez sentir todo o dia.

Mesmo assim, em mais nenhuma outra manifestação de fé se pressentiram, inspirados pela voz do Mestre Vital e/ou pelos cânticos de Lurdes Andrade e Nivéria Tomé, a exaltação dos louvores ao Senhor, a intensidade da oração e a dor pelo arrependimento, especialmente nos momentos mais solenes nas ou junto das igrejas da Missão de Nossa Senhora de Fátima de Laval, Santa Cecília, Nossa Senhora da Defesa, Saint-Enfant Jesus e Igreja Santa Cruz, algumas quais ofereceram de comer e beber à partida, em momentos de repouso e, finalmente,à chegada.

Neste rancho de romeiros, já com 21 anos, participaram este ano um pouco mais de 100 irmãos e irmãs, seguindo a cruz ostentada pelo jovem Kenny Amaral, 11 anos, ladeados pelos Guias, António Ledo e Gabriel Couto, e terminando na retaguarda com João Vital, Mestre; e António Moniz, Procurador das almas.

“Oferecemos à Santíssima Trindade os méritos de Jesus Cristo, o sacrifício dos romeiros e a generosidade de todos quantos colaboraram” – assim se expressou Mestre Vital, nos dois momentos de agradecimento às paróquias supramencionadas, a José Teixeira (Magnus Poirier), Eduino Martins (Alfred Dallaire-Memória) e a João Rebelo; a Silvio Machado, Inês Sousa, Ildeberto Silva e Odália Cabral, a par dos órgãos de informação, a Padaria Lajeunesse, entre outros.

Na Ilha de S. Miguel, esta tradição teve início em resultado dos violentos sismos e erupções vulcânicas que fizeram estremecer Vila Franca do Campo em 1522 e 1563. Era entendido então, que os cataclismos naturais manifestavam-se como uma punição divina pelos pecados do Homem, razão por que os micaelenses começassem a percorrer a ilha como forma de pedir protecção divina. A Quaresma foi a época escolhida para a realização da romaria, pois que significa tempo de penitência, oração e especialmente de mudança (regeneração da alma).

(Registe-se que as romarias começaram a reaparecer em outras ilhas, tais como a Graciosa e a Terceira há oito e há dois anos, respectivamente). Foi, tem sido, por outro lado, agradável registar o crescendo na participação de jovens, principalmente moças, quando o contrário é verdade em relação a outras actividades comunitárias. Talvez que haja uma lição a tirar desse facto.

Parabéns aos nossos romeiros, pois temos a certeza que através dos seus actos de fé, devoção e penitência, estão certamente a contribuir para uma melhor sociedade de homens, mulheres e criança.

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