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Labor táctico teve 1ºprémio na lotaria
joão Mesquita

SASe foi no pé direito de Izmailov que nasceu a primeira razão de alegria do Sporting na corrente temporada - em Agosto do ano passado, teve influência capital na conquista da Supertaça, assinando um golaço num remate de meia-distância -, foi também no melhor pé do russo que morreu a derradeira hipótese de a equipa leonina prolongar a discussão da final da Taça da Liga, no recurso ao desempate por grandes penalidades, após o nulo verificado durante os 90 minutos.

Mas o sete dos leões foi “apenas” o último a errar a onze metros da linha de baliza, pois, antes dele, já Polga e Liedson tinham trabalhado para fazer de Eduardo o herói de uma final histórica, numa noite em que o Setúbal se confirmou como a “besta negra” dos verdes e brancos de Alvalade - após dois triunfos e um empate nos três encontros anteriores - e em que os homens de Paulo Bento repetiram a incompetência de outros momentos na transformação - ou no desperdício… - de pontapés da marca de penálti. Carvalhal pressentiu isso mesmo na derradeira etapa do jogo e, depois de uma vitória no tabuleiro táctico, saiu-lhe mesmo a lotaria e deitou a mão à taça.

Ainda distante das emoções guardadas para o fim, a primeira parte fechou sem que o Vitória tivesse sido capaz de fazer um remate à baliza, mas esse facto escondia uma grande penalidade negada por Pedro Proença (13’?) e ainda outros dados estatísticos relevantes e definidores da superioridade táctica evidenciada pela formação de Carlos Carvalhal nesse período. A predominância sobre o adversário foi planeada e resultou na perfeição: Leandro, posicionado sobre a asa direita do 4x3x3 sadino, foi peça-chave nas manobras de bloqueio à primeira zona de criação da equipa leonina, efectuando movimentos diagonais para o corredor central, sempre que a missão era defender. Mercê da disponibilidade táctica de Leandro, o meio-campo do Vitória, com Sandro e Ricardo Chaves a bater forte no coração do sector, encaixava no losango verde e branco, e depois Bruno Gama encarregava-se de tentar situações de superioridade sobre a zona intermediária, embora do lado contrário o lateral-esquerdo Grimi fosse mais atrevido nos apoios e tentasse equilibrar as forças.

Cercado pela estratégia dos sadinos, o meio-campo do Sporting, além de pouco agressivo na procura da bola, exibia gritante falta de qualidade na circulação, tais eram as dificuldades para furar, para entrar na zona ofensiva. O recurso a um futebol mais directo, com passes longos, foi alternativa de circunstância, ainda que inconsequente, pois a capacidade atlética e a estatura dos centrais e dos laterais sadinos - por alguma razão alinhou o “gigante” Jorginho em vez de Adalto - triunfavam sobre a leveza de Liedson e as tímidas correrias de Vukcevic. Com Veloso tapado, o sector defensivo também andava em bolandas, sobressaltado pela mobilidade da linha de três unidades que o Vitória apontava às redes de Rui Patrício e confundido pela rapidez e eficácia com que os sadinos executavam as transições.
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