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Governo reduz IVA para 20%
José Sócrates tem feito depender uma
descida dos impostos dos progressos
na consolidação orçamental, mas também
da evolução da economia internacional e
da execução orçamental nos primeiros
três meses deste ano. O anúncio do valor
do défice de 2007 - 2,6% - voltou a
colocar na agenda política uma eventual
descida dos impostos, que o primeiroministro
confirmou durante a tarde, ao
anunciar a redução do IVA para os 20%,
a partir de 1 de Julho.
José Sócrates falava em conferência de
imprensa, depois do Instituto Nacional
de Estatística (INE) ter divulgado o valor
do défice em 2007, que se situou em 2,6
por cento.
No passado dia 10, numa das últimas declarações
sobre o assunto, José Sócrates
considerou ser ainda cedo para se falar
no assunto, mas reconheceu que «nada
daria maior satisfação a um primeiroministro
e a um Governo do que baixar
os impostos».
«Este Governo pediu mais impostos aos
portugueses quando isso era necessário
[em 2005] para consolidar as contas públicas.
Ao fim destes anos, os esforços
que pedimos aos portugueses têm já um
resultado. Portugal venceu a crise orçamental », sustentou o chefe do Governo português, uma garantia que reiterou na última terçafeira.
Sócrates: «É altura de aliviar o esforço que foi pedido
a todos os cidadãos»
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que é
agora altura de aliviar o esforço pedido a todos os portugueses
quando o Governo decidiu em 2005 aumentar
a taxa normal de IVA de 19 para 21 por cento.
Esta foi uma das principais mensagens políticas deixadas
por José Sócrates na conferência de imprensa em
que anunciou uma descida do IVA.
Tendo ao seu lado o ministro de Estado das Finanças,
Teixeira dos Santos, o chefe do Governo justificou a redução
do IVA com base nos resultados do défice, da dívida
pública e da despesa corrente primária verificados
em 2007.
Para a decisão de descer o IVA em um ponto percentual,
o primeiro-ministro invocou dados que considerou «muito positivos» da Direcção Geral do Orçamento referentes
aos dois primeiros meses deste ano em matéria
de execução orçamental.
«Os resultados divulgados pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE) são muito bons, superam todas as melhores
expectativas e todos os objectivos definidos pelo
Governo», declarou o primeiro-ministro na conferência
de imprensa.
José Sócrates vincou que o défice em 2007 de 2,6 por
cento foi «o mais baixo dos últimos 30 anos», representando,
como tal, «o valor mais baixo da democracia
portuguesa».
Por outro lado, apontou Sócrates, «pela primeira vez
nos últimos sete anos», a dívida pública desceu no ano
passado e baixou «1,1 por cento, antecipando em um
ano o objectivo do Governo».
Além do défice e da dívida pública, José Sócrates referiu
que também a despesa em percentagem do PIB «voltou a diminuir pelo segundo ano consecutivo».
«A despesa corrente primária baixa de 40,2 por cento
em 2006 para 39,4 por cento em 2007», salientou o
primeiro-ministro.
A seguir, ainda para justificar a decisão de descida do
IVA, o chefe do Governo citou os resultados já conhecidos
nos que respeita à execução orçamental nos primeiros
dois meses.
«O saldo do Estado melhorou nos primeiros dois meses
do ano 71 milhões de euros quando comparados
com igual período do ano anterior.
O saldo da segurança social, que é considerado crítico
e indispensável para a consolidação das contas públicas,
mais do que duplicou nestes primeiros dois meses do
ano face aos dois meses homólogos de 2006», disse.
Perante este quadro de resultados, o primeiro-ministro
concluiu que o país «tem as contas públicas em ordem e
controladas», restaurou «a sua credibilidade internacional » e reforçou «a confiança dos mercados no Estado
Português».
«Como tal, estamos a partir de agora, com segurança
e responsabilidade, em condições de baixar o IVA em
um por cento, descendo a taxa normal de 21 para 20 por
cento», anunciou.
O primeiro-ministro classificou depois como justa a
decisão tomada pelo seu Governo em relação aos cidadãos. «Estamos em condições de assegurar aos portugueses
o controlo e a disciplina das contas públicas, diminuindo
o esforço que pedimos a todos os portugueses. É altura
de aliviar o esforço que foi pedido a todos os cidadãos
portugueses», declarou.
No entanto, José Sócrates fez também questão de frisar
que o processo de consolidação orçamental vai continuar
nos próximos anos e que a descida de um ponto
percentual do IVA foi a medida possível.
«Esta é uma medida prudente e responsável, porque se
trata da redução que o Governo pode fazer face à incerteza
que se vive na economia internacional», justificou.
De acordo com Sócrates, a consolidação orçamental
permanecerá «em prol da disciplina orçamental, mas,
a partir de agora, o Governo não precisa que os portugueses
façam um esforço tão grande como fizeram nos últimos anos».

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