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Violência
nas escolas
Augusto Machado
A indisciplina exibida nas escolas do
País foi tema polémico e muito discutido
a semana passada. Já não é preciso
procurar muito para encontrar no
You Tube vários vídeos com imagens de
turmas indisciplinadas e salas de aulas
caóticas. As cenas, filmadas com telemóveis,
mostram alunos, turmas inteiras
que correm pela sala fazendo disparates
enquanto o professor tenta dar a aula e
até imagens em que se simulam lutas
entre docentes e estudantes.
Os exemplos são muitos e perturbadores,
numa escola da área do Porto uma
professora tenta dar uma aula enquanto
vários alunos correm pela sala aos gritos
e atiram objectos uns aos outros; numa
outra cena mostra uma aula de Geografia
numa escola não identificada, onde
os alunos brincam uns com os outros
desrespeitando as ordens do professor;
numa escola secundária de Vila Pouca
de Aguiar vê-se um aluno a fumar enquanto
um colega o filma. Tudo se passa
na presença do professor de Biologia
incapaz de impor a disciplina. Mas há
casos ainda mais graves. Docentes são
insultados e fisicamente agredidos – é
o caso de um professor que se preparava
para dar uma aula de Matemática
quando se deparou com um aluno do 5º
ano pendurado na janela da sala, situada
no terceiro andar da escola. Tentou intervir,
mas acabou por ser pontapeado.
“Quando tentei participar o incidente ao
conselho executivo”, disse o professor, “fui desautorizado em frente ao aluno
e aconselhado a não fazer queixa”, e
acrescentou: “A directora não quer que
a escola fica mal vista”. As agressões
continuaram e este professor acabou por
ficar mais de dois meses de baixa psiquiátrica: “Fizeram-me a vida negra”,
desabafou o docente.
Manuela, uma outra professora, preparava-se para voltar
a casa ao final do dia. À porta da escola, uma turma
fazia-lhe uma espera.
“Chamaram-me ‘sua p...’, ‘velha de m...’ e ameaçaram-
me: “Se continuas a embirrar connosco, partimoste
o focinho!”.
Dias mais tarde, furaram-lhe os quatro pneus do carro.
E foi mais uma professora que se recusou a fazer queixa
alegando que não vale a pena, pois uma denúncia pode,
mais tarde, ter reflexos na sua avaliação como docente.
E assim vão-se repetindo nas escolas portuguesas os
casos de indisciplina e agressões e onde muitos docentes
queixam-se da pressão exercida pelos Conselhos
Executivos.
“Os professores que fazem queixa ficam mal vistos”,
comenta Ramiro Marques, professor na Escola Superior
de Educação, que recorda que este tipo de episódios
costuma levar a uma nota negativa nos relatórios
de Inspecção-geral de Educação.
Entretanto, O que aconteceu na semana passada na Escola
Carolina Michaëlis, no Porto, a cena de violência
entre uma estudante e a professora de francês, por causa
de um telemóvel, a aluna que causou o incidente e o
aluno que filmou a cena já foram transferidos para outra
escola.
Desde há muito que o procurador-geral da República,
Pinto Monteiro, alerta para este tipo de comportamento
de alunos indisciplinados, reafirmando a necessidade
de um combate sério à violência nas escolas e avisa: “Nalgumas escolas formam-se pequenos gangues que
depois transitam para gangues de bairro, tornando-se,
mais tarde, adultos armados e perigosos”.

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