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Dez anos a cruzar o Tejo
Há precisamente uma década, Lisboa
ficava mais próxima da Margem Sul.
A inauguração da ponte Vasco da Gama era
o culminar de um processo lançado no início
da década de 90, que pretendia dar uma
resposta ao congestionamento da ponte 25
de Abril e facilitar a mobilidade na Área
Metropolitana de Lisboa. Dez anos depois,
os problemas mantêm-se, com aquele corredor
Sacavém-Montijo a apresentar uma
média diária de travessias inferior à 25 de
Abril, inaugurada em 1966, que permanece
como a primeira opção para os 160 mil veículos
que cruzam o rio Tejo. E a proposta
alternativa em 1992 – que concorria com a
Vasco da Gama – a ligação Chelas-Barreiro,
volta a estar de novo em cima da mesa
como a potencial escolha para o traçado da
terceira travessia. Perante este cenário, esta
infra-estrutura cumpriu os seus objectivos?
Para o investigador José Manuel Simões,
especialista em Ordenamento do Território,
não. À excepção de ter retirado o tráfego
de pesados à ponte 25 de Abril, potenciou
uma dispersão da ocupação do espaço nos
concelhos de Alcochete e Montijo, além de
não ter respondido à desindustrialização da
Península de Setúbal, sentida com maior
incidência em concelhos como o Barreiro
ou Seixal. “Necessitava-se de uma travessia
que consolidasse as áreas urbanas e e resolvesse
os problemas intra-metropolitanos.
Como o fecho do arco metropolitano a norte,
José Manuel Simões considera que a “Vasco
da Gama não resolveu bem o tráfego nem a
mobilidade dentro da AML”. JN

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