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Médica acusada de morte
Um homem de 72 anos morreu após
seis internamentos seguidos em três
hospitais da Região Centro, com sintomas
de pneumonia e enfarte do miocárdio.
João Tilly dos Santos, residente em
Seia, foi vítima de homicídio por negligência,
na perspectiva do Ministério Público
(MP), que deduziu acusação contra
uma médica dos Hospitais da Universidade
de Coimbra (HUC), quatro anos
passados sobre os acontecimentos.
A questão central da acusação é o facto
da médica M.C., assistente graduada
de cardiologia nos HUC, ter reenviado o
doente para o Hospital de Seia, sabendo
que esta unidade de Saúde
não tinha os meios técnicos
e humanos para lhe
prestar a devida assistência.
Para o MP, a medida
contribuiu de forma decisiva
para a morte de João
Tilly dos Santos, a 24 de
Março de 2004.
A morte foi “devida a um enfarte agudo
do miocárdio” e a decisão da médica“não foi correcta, face ao débil estado de
Saúde do doente e às menores condições
existentes” em Seia “para optimizar o
tratamento”, refere a acusação, adiantando
que “aquilo que se deve censurar na
atitude da arguida” não são os diagnósticos
que fez – e estavam correctos –, “mas
a conduta que adoptou a seguir”.João
Tilly dos Santos foi assistido três vezes
no Hospital de Seia, uma no Hospital da
Guarda e duas nos HUC, entre os dias 20
e 24 de Março de 2004. Em apenas cinco
dias foi obrigado a percorrer 420 quilómetros
em ambulâncias.
O MP – que não censura o comportamento
dos outros especialistas que assistiram
o doente – refere que o primeiro enfarte
se deu quando o doente já estava no
Hospital de Seia, regressado dos HUC, e
o segundo na altura em que se encontrava
no Hospital da Guarda, ou mesmo no de
Coimbra.
FALTAM MEIOS NOS
OUTROS HOSPITAIS
A falta de meios humanos e materiais
nos hospitais de Seia e Guarda são destacados
na acusação, que o
MP usa para demonstrar a“falta de cuidado” da médica
M.C. ao enviar João-Tilly para uma unidade
de Saúde com menos recursos
que os HUC, um
hospital central. O Hospital
de Seia não tem, no
período nocturno, apoio da especialidade
de medicina interna, nem serviços das especialidades
de cardiologia e de pneumologia.
Não dispõe de unidade de cuidados
intensivos e o laboratório de análises não
funciona de noite. Perante estes factos, a
arguida devia ter adoptado uma conduta
mais cuidadosa.
A médica M.C. está acusada de homicídio
por negligência porque “lançou o doente
num crescendo de risco, completamente
injustificado e evitável”, que viria
a contribuir para a sua morte.

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