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Crimes nas estradas
Augusto Machado

SAA criminalidade nas estradas em Portugal disparou nos últimos meses do ano passado. Os números falam por si: 62.000 pessoas detidas; 1.038 polícias agredidos. Ao todo, verificaram-se em 2007 391.611 crimes, mais 526 do que no ano anterior. O Relatório da Segurança Interna indica uma subida do carjacking e da condução com álcool.

O que mais preocupa as pessoas é o fenómeno mais recente - o assalto violento a viaturas em andamento – o carjacking, tendo-se verificado cerca de 500 casos em 2007. A aumentar estão também outros crimes nas estradas. O número de condutores apanhados sem carta de condução subiu para 21.141, mais 4,5% do que em 2006. Também foram detectados 20.597 condutores a conduzir alcoolizados. Conduzir nas estradas deste país é, considerado por muitos, um risco. É uma loucura. Ninguém respeita ninguém.

Para além de muitos andarem na estrada a conduzir sem carta, há os que não respeitam minimamente o código da estrada. Vivo perto da Nacional 13, que liga Porto a Valença. É uma via de muito tráfico, pois também faz a ligação do Porto a Vigo, na Galiza. Trata-se de uma estrada que atravessa muitas aldeias e vilas e, inevitavelmente, há sempre peões a atravessar a via, porque dos dois lados da estrada existem comércios onde as pessoas vão fazer as suas compras,é certo que nesses mesmos lugares existem passadeiras onde os senhores condutores deveriam parar quando o peão já está sobre a mesma – mas não é isso que acontece – os ‘aceleras’ não só não param como são frequentes os atropelamentos a peões sobre as passadeiras.

Outras tragédias que acontecem com frequência por causa dos maus hábitos de conduzir é a falta de respeito pela vida humana: todos os dias a imprensa escrita e os telejornais dão-nos exemplos de pessoas que são atropeladas mesmo em cima das passadeiras. Pior é o facto destes senhores condutores nem sequer pararem no momento do acidente para prestar auxílio às vítimas. Estes são os assassinos da estrada que utilizam o veículo que conduzem como uma arma. E segunda as autoridades raramente são condenados pelo crime que cometem – os processos arrastam-se na justiça durante anos e na sua maioria são arquivados. A poucos metros da minha casa na rua onde vivo, ( que antes do 25 de Abril era uma estrada camarária e depois rebaptizada rua da Liberdade – a palavra liberdade parece ter encorajado os ‘aceleras’ a fazerem desta via uma pista de auto racing), onde existe a Escola Primária, a Escola de Música, a Casa da Banda onde a Banda local ensaia, para não mencionar residências e comércios. É uma artéria onde as pessoas se cruzam com frequência, incluindo crianças que constantemente atravessam a rua, mas nem enfrente a uma escola, e com passadeiras, os senhores condutores afrouxam.

Corrupção e falsificação também aumentam. A subir está o tráfico e a detenção de armas: ao todo, foram descobertas quatro mil armas ilegais, indica o mesmo relatório, aprovado em Conselho de Ministros há duas semanas e enviado para a Assembleia da República.

Segundo dados do mesmo documento o crime mais cometido em Portugal continua a ser o furto de objectos em viaturas (39.651 ocorrências). O mesmo aconteceu com assaltos a residências com arrombamento por escalada e chave falsa, que subiu para 23.324. Os assaltos a caixas multibanco (ATM) também não escaparam aos larápios – só em
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