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O espírito dos anos 60
voltou ao Clube Oriental
Sylvio Martins
Os anos 60 representaram,
no início, a realização
de projectos
culturais e ideológicos
alternativos lançados
na década 50.
Os anos 50 foram
marcados por uma crise no moralismo rígido
da sociedade, expressão remanescente
do Sonho Americano que não conseguia
mais empolgar a juventude do planeta. A
segunda metade dos anos 50 já prenunciava
os anos 60: a literatura “beat” de Jack
Kerouac, o rock de garagem à margem dos
grandes astros do rock (e que resultaria na “surf music”) e os movimentos de cinema
e de teatro de vanguarda.
Podemos dizer que a década de 60, seguramente,
não foi uma, foram duas décadas.
A primeira, de 1960 a 1965, marcada por
um sabor de inocência e até de lirismo nas
manifestações socioculturais, e no âmbito
da política é evidente o idealismo e o entusiasmo
no espírito de luta do povo. A
segunda, de 1966 a 1968 (porque 1969 já
apresenta o estado de espírito que definiria
os anos 70), em um tom mais ácido, revela
as experiências com drogas, a perda da
inocência, a revolução sexual e os protestos
juvenis contra a ameaça de endurecimento
dos governos.
Durante uma noite, ressurgiu
no Clube Oriental Português de Montreal
toda essa melancolia que temos dos anos
60.
Nostalgia da música, dos vestuários, alguns
provocantes outros engraçados. Mas,
afinal, foi uma grande festa, que todos gostaram,
marcada pelo simpático ambiente, o
estilo cómico do DJ Memories e o dinamismo
do animador, Paulo Santos. Nos dois últimos anos, o Clube Oriental Português
introduziu uma grande mudança: “Se tem
uma ideia, podemos realizá-la”.
E muitos
dos sócios e não-sócios apreciam esta nova
filosofia. A realização deste evento deveuse
a Dina Franco e José Luís Ribeiro, que
trabalharam muito para que a noite seja um
sucesso, sem esquecer toda a equipa que os
ajudou – na cozinha, no bar e o presidente
do clube, Duarte Sousa.
Foi uma óptima ideia. Parabéns! Espero
que muitos imitarão esta associação, porque é importante inovar e não repetir 10 vezes
a mesma festa. A comunidade não pode
continuar nesta passividade e deve inovar
para se renovar. Infelizmente, muitos não
se apercebem disto. Será que compreenderão
antes que seja muito tarde..?

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