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Montreal, aldeiazinha
de Toronto?
Sylvio Martins
Há dois meses, tive a oportunidade de encontrar um
director de um banco em Portugal. Durante esta “conversa de café”, conversámos a respeito de publicidade
e sobre o apoio que poderia dar à nossa comunidade,
quer seja uma ajuda logística, monetária, ou outra. Esta
pessoa sorriu e disse-me “Ajudamos Toronto com cerca
de 100 000 Euros em publicidade e apoios financeiros.
Mas não podemos comparar Montreal a Toronto. Para as
grandes empresas portuguesas, Montreal é quase considerada
uma aldeiazinha de Toronto”. Naquele momento,
fiquei furioso e durante meia-hora discutimos sobre as
razões desta visão. Há algumas semanas, vimos o que era
Montreal, e assim chegámos à conclusão que o Governo
português apoia esta visão. Montreal ficará abandonado
(a ver domingo)? Uma cidade com 50 000 portugueses e
luso-descendentes que ficarão marcados.
Domingo, 20 de Abril de 2008, deveremos
enfrentar a realidade. Montreal é realmente
uma aldeia de Toronto…?
Fala-se aqui de poder representar Montreal
com um Conselheiro das Comunidades
Portuguesas, e isto é um marco importante a
ganhar, para podermos dizer ao Governo Português
que não vivemos numa aldeiazinha.
Somos Portugueses e vivemos na cidade de
Montreal. Não somos apenas 2 mil, mas sim
50 000 compatriotas, prontos a marcar eleições
e ganhar o cargo de, pelo menos, um conselheiro.
Tem actualmente no Canadá quatro listas de candidatos
para as eleições do Conselho das Comunidades Portuguesas
(CCP), marcadas para 20 de Abril (fonte consular).
O círculo eleitoral de Montreal-Otava-Toronto tem
três listas concorrentes (duas em Toronto e uma conjunta
Montreal-Otava) e o círculo de Vancouver tem uma. A
mesma fonte referiu que, das duas candidaturas entregues
em Toronto, uma é liderada por Inácio da Silva Mota, actual
presidente da Assembleia do Clube Português de Kitchener
(Ontário), e a outra apresenta como primeiro titular
Martin Medeiros, antigo dirigente da Casa dos Açores
do Ontário, único Açoriano a candidatar-se. O cabeça-delista
da candidatura “Portugueses Unidos e Sem Fronteiras”,
originária de Montreal-Otava, é Clementina Santos,
tradutora legal e colaboradora de um programa televisivo
em Montreal. Clementina Santos encontrou-nos para falar
um pouco sobre ela. “Quando cheguei a Montreal, a 9
de Janeiro de 1977, estive num período de transição de 6
meses, durante os quais fui à escola para aprender francês
e inglês, e todos os que pude tirar. Também estive implicada
em vários projectos comunitários, sempre a ajudar
onde tinha oportunidade. Hoje em dia sou mais selectiva.
Nos últimos anos, trabalhei na Caixa de Economia dos
Portugueses, na campanha para a eleição de Isabel dos
Santos, e ajudei na realização do jantar de angariação de
fundos para Portugal por causa dos fogos, e em várias
pequenas actividades”, disse.
O que é para ela a comunidade portuguesa “A comunidade, pessoalmente, é exemplar.
Mas colectivamente, são individualistas. São incapazes
de se reunir e é muito triste ver tantas
possibilidades de fazer avançar a comunidade
não chegar a fim”. A injustiça do governo fez
com que ela devia concorrer, para poder realçar
a comunidade portuguesa de Montreal, para ter
uma voz nos congressos de conselheiros espelhados
pelo mundo. Ela também afirmou que é
triste a visão que o nosso país tem desta cidade e
da comunidade portuguesa montrealense.
O seu ponto de vista-de-vista sobre
a função de conselheira “A visão de cada conselheiro é diferente, mas para mim é de ajudar todas as organizações a concretizarem vários
projectos comunitários e dar uma presença no governo
para não ficar atrás. A eleição para o CCP vai realizar-se
este domingo, 20 de Abril, nos consulados em Toronto,
Otava e Montreal. Todos os portugueses, inscritos nos
consulados portugueses das cidades respectivas, têm o
dever comunitário de votar para uma das três listas. Mas
nesse dia, vote para uma presença montrealense. Vote lista
A: “Portugueses Unidos e Sem Fronteiras”. Eu estarei
lá, espero que você também.

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