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Portugal seria “região ultraperiférica continental”

SAO presidente do Governo açoriano afirmou quarta-feira que os Açores e a Madeira garantem uma projecção Atlântica a Portugal, que seria uma “região ultraperiférica continental” sem os seus dois arquipélagos. “Portugal, sem os Açores e também sem a Madeira, seria uma região ultraperiférica continental”, afirmou Carlos César, que falava numa visita à Câmara Municipal de São Vicente, no âmbito de uma deslocação que está a efectuar a Cabo Verde.

Para o chefe do executivo açoriano, o arquipélago confere, assim, a Portugal um “salto qualitativo” nas relações internacionais que o país desenvolve.

“Assim é um território periférico do continente europeu que tem, graças aos Açores, uma localização central no diálogo atlântico”, defendeu. Para Carlos César, o arquipélago tem desempenhado uma “função importante” em algumas áreas na projecção da política externa portuguesa. Pela sua posição estratégica e geográfica, os Açores são “interlocutores privilegiados” no diálogo atlântico, transatlântico e da Macaronésia, um espaço que junta também a Madeira, Cabo Verde e Canárias. Depois de ter sido recebido pela autarca de São Vicente, Carlos César apelou, ainda, para que as câmaras municipais assumam um “outro patamar de relacionamento” entre os Açores e Cabo Verde. Segundo Carlos César, os acordos de geminação entre autarquias não podem ficar por intercâmbios culturais e de visitas de cortesia, mas devem aproveitar o “estímulo” dos dois governos de reforço das relações. O presidente do Governo Regional destacou, também, o relacionamento que se verifica em Cabo Verde entre as administrações local e nacional, alegando que deveria de servir de exemplo aos Açores. “Nos Açores, por vezes, perde-se muito tempo na contenda partidária, perde-se muito tempo numa exibição da diferença e não se ganha, por isso, tempo para trabalhar em comum e para privilegiar o interesse público”, afirmou. Para Carlos César, esta situação “resulta sempre numa quebra dos resultados” que significa “prejuízos para os cidadãos”.

“Esquerdismo farisaico”
Por outro lado, o líder do Governo açoriano defendeu 3ª feira que os lucros da banca contribuem para o desenvolvimento económico e criticou o “esquerdismo farisaico” de quem condena os resultados das instituições financeiras. “Há certo esquerdismo farisaico à volta dos lucros da banca. Confesso que, embora a minha formação seja de esquerda, o que me preocupa e assusta verdadeiramente é a que a banca não tenha lucros”, afirmou Carlos César.

O chefe do executivo açoriano falava na assinatura de um protocolo entre o Banco Espírito Santo dos Açores e a Caixa Económica de Cabo Verde, integrado no programa da visita que está a efectuar ao país. Segundo disse, o sector bancário desempenha um “papel muito relevante” no desenvolvimento económico, o qual só será concretizado com a solidez necessária neste sector. “Uma banca sólida com lucros é um sector financeiro ao serviço de um país, custe a quem custar”, afirmou Carlos César, que destacou, ainda, a “boa relação” mútua existente entre famílias açorianas e os bancos que operam nas ilhas. O protocolo entre as duas instituições financeiras vai permitir dar maior rapidez às transferências de remessas financeiras dos imigrantes cabo-verdianos para o seu país. Pedro Caetano (Lusa)
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