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Dependência do petróleo
Os suecos resolveram libertar-se da dependência do
petróleo até 2020. Ou seja, desintoxicar a sua economia
do vício do carbono. Para isso criaram uma comissão
composta de cientistas, técnicos da administração pública,
associações cívicas e industriais, que delinearam uma estratégia
com etapas e objectivos.
A principal medida passa por um programa drástico de
eficiência energética: nos transportes, o consumo de gasolina
e gasóleo terá de diminuir entre 40% a 50%; nas casas
e escritórios terá de ser reduzida a utilização de fuel para
aquecimento; na indústria exigem igualmente uma redução
no consumo de petróleo entre 25% a 40%. Outra medida
importante para acabar com a dependência petrolífera foi
lançar uma política fiscal com uma taxa sobre as emissões
de dióxido de carbono. Para substituir a gasolina a Suécia
aposta em desenvolver energias renováveis e pelo biogás
obtido a partir dos resíduos urbanos orgânicos. Enquanto
que em Portugal continuámos a depender do petróleo que,
segundo as estatísticas, ainda é de 90 por cento. Temos por
exemplo o sector dos transportes, o nosso principal emissor
de CO2 e consumidor de petróleo e não se vislumbra
sequer uma política coerente de eficazes transportes públicos
ferroviários e eléctricos. Por muitos anos ainda, a
avaliar pelas medidas anunciadas, tudo indica que o País
continuará a depender do petróleo. E a nossa intensidade
energética continua, por enquanto, a maior da Europa.
Com o actual elevado preço do barril de petróleo, é de louvar
os países que tomam medidas corajosas para encontrar
e desenvolver energias alternativas e melhorar o problema
da mobilidade urbana e suburbana. Alguns exemplos: na
Suíça, na Alemanha, na Holanda, na Itália e noutros países
os objectivos é reduzir a circulação rodoviária urbana
dentro das cidades. E isso só pode ser feito melhorando a
qualidade dos transportes colectivos para levar os cidadãos
a preferir transportes confortáveis, eficientes e rápidos, que
sirvam de alternativa ao automóvel particular. E quando
isso acontecer ganharemos todos. Teremos um planeta
menos poluído, respiraremos o ar mais puro e, sobretudo,
pagaremos menos se conduzirmos um veículo eléctrico ou
com um outro tipo de energia mais limpa.
Esta manhã fui encher o depósito do carro. Meti menos de
50 litros, paguei 75 euros, (em dólares canadianas, cerca,
120 dólares)- um exagero! O Ocidente, que sempre gastou
muito petróleo para manter o seu estilo de vida, está agora
em crise com o preço elevadíssimo do ouro negro, porque
outros países, como a China e a Índia, onde o consumo
aumentou, resolveram também imitar esse estilo de vida.
Oxalá, políticos e técnicos, sigam o exemplo dos suecos.
Como disse Bob Geldof: “não há nada que não possa ser
mudado e a pior cegueira é a de quem não quer ver”. Com
o desenvolvimento acelerado na Ásia, não é preciso ser
cientista para perceber que os recursos do Planeta são limitados.
O Ocidente terá de se habituar a consumir menos
e a partilhar mais.

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